sábado, 31 de dezembro de 2011

Um presente para Voces

Olá amigos, tenho escrito muitas coisas ultimamente, mas nenhuma delas ficou realmente legal a ponto de querer dividir com voces, mas como tem muito tempo que não posto nada, resolvi postar algo antigo, como presentes para voces, que traduza como meu desejo sincero que o proximo ano seja repleto de bençãos, alegrias e amor na vida de cada um. principalmete amor, ingrediente essencia para nossa alma e nossa saude. Em homenagem ao amor, esse sentimento maravilhoso e ao mesmo tempo misterioso, estou postando uma cronica, que brinda de forma ilariante esse sentimento lindo. Foi um dos textos que mais amei escrever, espero sinceramente que gostem, um beijao para todos!!!!!



“Não me espere.....”
Era somente essa frase que soava na minha mente. Ela era vazia. Não tinha precisão de datas, nem de emoção. Dizia muita coisa e ao mesmo tempo dizia quase nada... Dava para qualquer pessoa entender perfeitamente o seu significado. Menos eu!
Não tinha idéia de como não iria esperá-la. É isso que eu faço a todo momento. Espero ela se arrumar, espero ela acordar, espero ela no restaurante, e esperava-a naquele jardim, esperava para ver teu sorriso, mesmo em momentos que ela nem imaginava que eu estava esperando-a.
Acreditei até o ultimo momento de que tê-la perto de mim, era só questão de espera-la mais um pouquinho....
E agora veja só, ela me pede para não espera-la. Seria meu desatino, cometer tamanho pecado. Castigo, isso sim seria um grande castigo...
Imaginem só, o amor da minha vida pedi-me para não a esperar, daria lhe tudo se ela quisesse, mas ela me pedi logo isso....
O relógio impreciso conta o tempo, nunca para, mas como eu queria parar de contar o tempo por ele, ela não vem....
Não adianta eu teimar em esperar.
Talvez eu já a tenha  perdido, tenho feito tantas bobagens o que me faz pensar que ela ainda gosta de mim depois de tantos tropeços, de tantos erros, de tantas mentiras..
Quem sabe ela tenha arrumado alguém melhor do que eu!!!
Não a culparia. Eu se estivesse no lugar dela já teria me largado a muito tempo... Mas um adeus seria menos doloroso que essa espera...
Não agüento esperar sem ver o sorriso dela, falando-me para esperar mais um pouco, que faltava pouco para conquista-la!
Mas agora corro o risco de perde-la.
Se bem que não suportaria perde-la para um outro alguém..
Quem é ele para entrar na nossa vida, e sem ter a esperado como eu,  toma ela de mim desse jeito? Não poderia suportar tal idéia....
A noite caí como uma pluma nos horizontes, vou na sacada espiar se vejo o vulto doce dela se aproximar na esquina...
A angústia aumenta...
E aquela falta dela me olhando, com raiva, ou com simplicidade, aquela voz, às vezes gritando comigo, ou dizendo coisas bobas, atoa de quem espera carinho em troca, estava me sufocando...
Não agüento essa espera....
De repente ouço vozes rompendo o silêncio da noite, aproximo-me da sacada com um pouco mais de prudência, e a vejo, saindo do carro junto com outras mulheres, elas conversam um pouco... Depois ela sobe...
Ufa, que alivio em ver que ainda a tenho....
Então tiro a roupa rapidamente, me enfio debaixo dos cobertores e finjo aliviadamente que realmente não estava esperando por ela......
Autor(a): Carla Cardoso Valadares
Belo Horizonte, 28 de março de 2005

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

bem-te-vi na janela

Ainda sendo influenciada... Não da forma que eu gostaria, mas delicadamente influenciada. Uma das minhas inspirações embora nao tanto poetica, é The Twelve kingodoms, e recentemente Rio. Uma produção, que enriquece e valoriza nossa cultura e nao é apenas uma suposição do que seja ela. Esse poema será o ultimo que postarei nessa linha apaixonada... Pretendo resgatar aqui nos proximos textos, minha linha critica e moderada.... Espero que gostem....


O mar nas nuvens


Em um canto escondido da serra
Debaixo da castanheira
Um bem-te-vi caído
Com as asas quebradas
Debatia-se desesperado tentando erguer o pequeno corpo do chão
E ganhar as distancia dos céus...
Mas não importa o que ele faça
As nuvens estão longe demais para serem tocadas

Ele estende a mão
Mas não consegue me alcançar aqui onde estou
Seus olhos me encontram na penumbra da noite
Seu sorriso varre minha resistência
Tento alcançá-lo
Suas mãos vacilam
Agora ele esta longe
Nos céus as nuvens

O inatingível mar das nuvens
A melodia soa ao longe
Elevando-se ao céu
Convidando-me a mergulhar nas nuvens desse mar
Arrasto-me no meio das arvores
Minhas asas estão atadas
Grito assustada
Estou com medo
De não voltar mais para casa
Acima das nuvens do céu
 
Ele tocou as minhas mãos
Enquanto voava baixo na dança dos ventos
Olhou nos meus olhos
Mas se foi
Permaneceu em mim algum tempo
Pulsando como uma ferida aberta
Prendendo-me nessa escuridão
A lua prateada me chama
E o vento sussurrante passeia pelas minhas asas
Elas ensaiam os impulsos
Na brisa desse vento
Mas ainda estou presa
Pelos olhos de um algoz
Que invadiram minha essência
E deturparam minha resolução

As nuvens cobrem a lua
E se espalham ao redor
Com um nevoa fria e acolhedora
Elas tocam o chão e se insinuam ao meu redor
Toco sua espessura com uma pontada de alegria
O mar sussurra em suas entranhas
Eu não fui pousar em suas calmas águas
Elas então vieram me buscar
O mar das nuvens 

O bem-te-vi para de se debater
A névoa do alvorecer dispersou a escuridão
E ele já não precisa temer aquilo que não podia ver
Agora um branco lúgubre pinta o céu até aonde as vistas alcançam
E ele não se sente preso ao chão
As nuvens se insinuam sobre ele
Abraçando suas pequenas formas
Em um redemoinho de água
O mar o envolve e ele sente que pode mergulhar bem fundo e flutuar
De repente já não são as nuvens que o sustenta
Mas o vento que passa veloz e resistente pelas suas asas
Elas se abrem majestosas
Acima do mar das nuvens

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Quero voltar para casa...

As lembranças de casa, do bambuzal e da casa da minha avó estão simplesmente me impurrando a voltar... Embora eu saiba, que nada e como um dia fora... Mas não impedi de construir outros sonhos em outros lugares.... Quero voltar.... (imagens da serra da canastra MG)


No avesso do espelho



Ela para e espera

O ônibus passa soprando uma brisa quente e pesada

Os sapatos comprimem os pés cansados

Ela olha para cima e não consegue enxergar nada além de pedras.

Em ângulos retos e obtusos

Anseia pelas formas

Das montanhas em suas curvaturas anunciando outros horizontes.

Das folhas que caem ao vento disperso do inverno

Do roxo, do rosa e do amarelo de meus queridos Ipês

Das altas castanheiras e da brisa morna que varre por entre elas

Ela suspira

Se perde nas lembranças tenras de sua querida infância

Das vezes que estendeu um lençol branco com delicadas flores azuis na borda

De baixo do bambuzal

E ficava a observar preguiçosamente o mesmo vento varrer delicadamente as folhas do bambu

Era reconfortante ouvir o ranger dos enormes bambus a percorrer a dança do vento

Ao longe o riacho corria lentamente as falhas das montanhas, se quebrando em pequenas marolas pelos caminhos afora...

As montanhas eram redondas e preenchiam os espaços delicadamente desenhados até Deus


O pôr-do-sol alaranjado nas tardes de domingos

Papagaios eram feitos de papel de ceda e ainda eram brincadeiras de crianças, e o carretel era uma ferramenta mirabolante com uma alavanca estranha que recolhia toda linha sem nenhum esforço.

Ficaram apenas as formas...

E ela podia imaginar que alem dessas pálidas cores cinzas em preto e branco existirá em algum lugar um pequeno rio, percorrendo as beiradas das montanhas, ziguezagueando pelo espaço afora.

E o vento ainda vem sussurrar, saltando de uma arvore a outra a pequenas distancias.

Como se o tempo e o espaço fosse apenas invenção dos homens

Arquitetura divina

A chuva que caia no final das tardes, ainda era uma representação de fúria... Ao mesmo tempo o som disperso das milhares gotículas que lavavam a terra, lembravam o suave som de um piano a soar nos céus.

O cheiro era de capim molhado... Recendia as flores de laranjeira e de capim cidreira

Na casa da vovó, comida era feita no fogão de lenha, biscoitos de nata, e de polvilho.

Ficaram apenas as saudades

Hoje parece distante, como se fosse um sonho, cuja lembrança se perdeu, nas nossas inquietudes. Nos nossos momentos de desilusão.

Mas ainda distante

Distante de tudo, distante de Deus, distantes de quem éramos.

Uma lagrima varre a face cansada.

Em algum momento, nessas paredes de concretos perdeu a si mesma

Ela era algo imensurável

E não devíamos ser todos assim? Cada um seguindo no coração aquilo que Deus havia planejado para sua vida?

Hoje somos um numero, cuja cifra, há um divisor e um multiplicador comum...

Ela percebe a movimentação. Meu Deus quando agarramo-nos as coisas com demasiado sentido de posse?

Quando um objeto passou a valer mais que a vida das pessoas?

Quando beleza virou sinônimo de igualdade?

Ela sempre tivera plena consciência do que era perfeição...

Era tudo aquilo que se estende desde a beirada do mundo ate os céus, cuja escultura não tenha uma única parcela das mãos humanas deturpando suas formas. E nessa magnífica obra o tudo, desde o menor dos liquens, até os anelados dos cabelos da morena mineira.

A perfeição é Deus, e tudo que ele tem feito. O resto é obliquo como o lado negro da lua.

É encoberto como um dia chuvoso, cuja imensidão só nos é visível, como as cores desbotadas de um longo outono.

Os dias escuros e as longas noites sem o brilho das estrelas denuncia apenas isso: estamos verdadeiramente cegos.

Já não nos é possível vislumbrar Deus...

Carla C. Valadares

sábado, 25 de junho de 2011

Deixei para Depois

Revendo algumas folhas desconexas, arrumando minhas bagunças achei um pequeno poema entre muitos rasbicos. O chato que eu não faço ideia de qual mês exatamente eu o escrevi, mas eu sei que foi ano passado... Espero que gostem...

Mais tarde...
Quando o sol tocar as montanhas...
E os pássaros pararem de cantar na minha janela.


A caixa de mensagem está cheia...
Mas resolvi deixar para mais tarde.
Quando?
Não importa...
Talvez depois da chuva...
Quando acordar e não tiver mais pesadelos...
Ou Quando parar de pensar nessas imagens que se repetem sempre e em câmera lenta na minha cabeça...
E Quando a voz da minha consciência parar de sussurrar advertidamente, insistindo para que eu não volte atrás.
Mesmo assim é tarde demais...

Mais tarde...
A lua se insinua pela janela.
Talvez já seja hora de sair...
Não vou para o mesmo lugar...
Ignoro o toque insistente do telefone...
O vento sopra suave e a voz resolve calar-se de vez em minha mente...
Aquilo que eu tinha deixado para mais tarde não tem mais nenhuma importância...
O tempo dele passou, e agora me desfiz de todas essas coisas velhas.
O telefone toca, mas não me diz respeito!
Deixei tudo para trás...
Você e todas essas coisas velhas!

Autor(a): Carla C. Valadares
Belo Horizonte, 2010

domingo, 19 de junho de 2011

o Anjo Apaixonado


Estou facinada com as ideias mirabolantes que surgem na minha cabeça. ultimamente tenho pensado que se não fosse pela gravidade, alguem que quisesse mergulhar e tivesse medo de se afogar era só dá um salto de cabeça para cima que flutuaria na imensidão do céu... Bom acho que realmente nasci no planeta errado, eis mais um de meus poemas, ainda influenciado pelo desejo absurdo de apaixonar...
Imensidão do silêncio

Eu queria te dizer, que talvez não esteja pronta
Para olhar nos seus olhos e flutuar
O sol nasceu no leste quando dei as costas
E decolei,
Eu pensei que talvez você fosse apenas um rosto
Como tantos outros e não poderia me alcançar nas alturas...
Pensei que essa voz se calaria dentro de mim
Quando a distancia fosse grande demais
Para que eu pudesse te tocar
Mas ela fechou-se em um punho cerrado e esta me comprimindo em agonia
Eu estou com medo...
Voei para longe demais
As nuvens flutuam sobre as minhas costas
E eu estou afogando na imensidão desse silencio
Eu fugi...
Eu tive que fugi
 

Porque não tive coragem de te dizer
Que temo o momento em que o silêncio se aprofundasse
E fosse a única voz que soasse entre nós
E que essa distancia seria realmente intransponível.
Que as vozes se calassem para não se contradizerem
E era esse o caminho arranhado do meu coração
Mergulhei nesse abismo e temo a escuridão
Quando ela vem me comprimir tirando meu fôlego
Tento respirar
Grito seu nome
Mas você esta longe demais para poder ouvir a minha voz
Estou caindo no fulgor do infinito e ainda posso tocar as estrelas
Com as pontas dos meus dedos
Mas você está lá em baixo
E seus olhos me perfuram, mas não permanecem em mim
Riscam as paredes de minha consciência
E despertam todos os meus sentidos
Suspiro em êxtase
E novamente fecho os olhos
Não tenho coragem de enfrentar o fulgor de seu olhar
Parecem querer revelar uma parte escondida da minha consciência
Mas não falam nada de si
Será que estou caminhando sozinha?
Eu fugi
Mas você não veio atrás de mim
Estou caindo
Mergulhando fundo no abismo da solidão
A escuridão é grande demais e não posso enxergar mais nada
As estrelas estão longe e a lua sumiu em sua curvatura
Não me deixe cair...
Me de a sua mão
E pule comigo para o infinito...
Não me deixar passar por você
E não permanecer...
Como se nossos caminhos fossem duas retas sem interseção!

terça-feira, 24 de maio de 2011

E naquele Inverno...

Cada dia um momento...  Cada momento uma sensação, mas não ha nada que se compare ao apaixonar... É tão bom se apaixonar... E melhor ainda é deixar-se perder nessa sensação... Será que é no inverno que as pessoas se entregam mais a esse sentimento? Não sei... Essa uma parte de mim... Pois é simples apaixonar... Dificil é faze-lo eterno... Acho que escrever é uma forma de tornar esse sentimento eterno... Eu dedico esse poema à pessoa que sem saber dispertou esse sentimento em mim...

Sinto...

Senti frio...
E ainda que a nota dessa simples sinfonia me aquecesse...
Nas pequenas lembranças singelas...
Ainda assim sentiria frio...

Sinto medo...
Quando penso na imensidão do jardim que atravessa nossa essência...
Resvalando-se por esses caminhos escondidos, no infinito de nossas paixões...
Sinto tanto medo de perder-me...
E não poder voltar mais...

Sinto tanto...
Porque senti medo...
E quanto mais buscava essas pequenas e fúteis razões...
Eu não tive coragem...
De te abraçar...

E a noite me envolveu nas suas frias garras...
Da incerteza... Da mentira... E da solidão...
Senti frio...

Senti sua falta...
Da brandura da sua voz...
Que me fez esquecer por um segundo esses meus devaneios...
E permite que eu sonhe que sou capaz de voar...
Senti saudades do calor da sua presença...
Que aquece como sol, a porção mais esquecida da minha alma...
Sinto tanto...
Por mais perto que possa estar, tanto que ouso sonhar...
Ainda assim não há como silenciar a voz...
Que me afaga nessa doce ilusão...
Mas não permite que eu vá além daquilo que meus pés podem tocar...
Sinto tanto...

E sinto mais medo...
Por que na verdade era nesse abismo que queria me jogar!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Figurinhas do Ping Pong

Ping Pong _Eita nostalgia

Nossa agora me dei conta de quanto estou ficando velha!! Quando eu era criança eu tinha paixão por essa serie de figurinhas, e tinha plena convicção de que eu ia para o pantanal e ia me hospedar na oca de uma tribo indigena qualquer e sei lá seria uma veterinaria e capitã planeta ao mesmo tempo.  EUzinha tinha plena convicção de que ia salvar a mata Atlantica....Vali me Deus... quanta imaginação...então estou deixando meu tributo aqui, as figurinhas, a mata atlântia e pantanal, e a minha fertil imaginação... Acreditem em mim nada mudou rsrsrsrs
Beijão para todos!!!!


Nas páginas desbotadas do livro...

Debruça-se sobre as rosas...
Embora sejam feitas de papel...
Exalam perfumes doces de mil e umas aventuras passadas.
Viajam por seus campos num corcel a galopar.
Arrasta-se os aromas num pequeno redemoinho.
Passeia de trem pelas paradas mineiras...
De um terreno retorcido de um cerrado grosseiro...
Ao mesmo tempo em que atravessavam pontes sobre límpidas e misteriosas montanhas verdejantes da já extinta mata atlântica.
Tão belas paisagens numa figurinha...
Um álbum fantástico de coisas a descobrir sobre minha terra.
E nela não há palavras para explicar...
E nela são todas as coisas.
O ar que recende a capim molhado, a água que desce valente pelas encostas turvas de minhas queridas montanhas mineiras.
Desbravam as matas sem nela tocar...
E o sol que queima de quente morno a afagar levemente a pele nas tardes outonais e rugi furioso sobre as ondas no mar de verão.
Lança sobre as águas e cria miríades de cores que refletem nessa minha mata de figurinhas do álbum de colecionador. Onça pintada sorve a água no leito do rio. O sol a trespassa e lança um brilho tênue sobre seus pelos pintados de marrom e preto.
O mesmo sol tinge de dourado a pele da morena mineira.
Ela anda distraída, como se não desse conta do tempo.
Para no sinal e vira na direção do transito com a mão sobre o os olhos se protegendo do sol.
Seus cílios longos sem nenhum bordado.
Guardam olhos de amêndoas que reflete no sol como se fossem ouro fundido. Me lembra o dourado do mel tirado diretamente das casas das abelhas.
O seu vestido é longo e ondula suavemente sobre a brisa morna de outono.
Uma tira delicada é trançada sobre sua cintura fina.
Pernas longas calçam sapatos pontudos.
Contudo, mal se lembra de andar.
Desliza suavemente pelo tempo.
Sem pressa nenhuma de chegar.
Sobre as mãos o livro
Das rosas, do corcel, e das aventuras pelas terras a desbravar.
Ela para no ponto de ônibus e dá sinal. Sigo-a pela aventura do mistério a desvendar.
Dos seus olhos distantes, na poesia contida da historia.
Do seu meio riso retido para não deixar escapar o seu conteúdo...
Da aventura e desventura. Do tropeço do cavaleiro em seu cavalo.
Das cruzadas e das lindas paisagens retratadas no livro.
Ela viaja pelas letras mantendo firmes seus olhos de amêndoas. Adornando as historias com suas paixões e suas frágeis percepções. Criando o fantástico a partir do estático das letras cursivas e compridas numa pagina.
Nesse instante eu era apenas o livro...
Carla Cardoso Valadares


domingo, 17 de abril de 2011

Ela está chorando baixinho..


Para minha primeira postagem, eu tinha planejado publicar um dos meus poemas que mostrem a beleza da vida nos momentos mais simples... Mas acontecimentos recentes me levaram a publicar algo totalmente diferente, denotando a impulsividade do momento retrado nas linhas. Mas é o meu tributo, a minha eterna e querida amiga...
Lefertina...


Noite sem fim

Na escuridão da noite ouvia apenas seu pesado arfar cortando o silencio da madrugada.
O vento sussurrava melancolicamente através da janela como se ele também suspeitasse da sua dor.
Tampei os ouvidos num gesto egoísta. Ou me protegendo do fato que talvez sua pesada respiração fosse uma premissa de sua breve partida...
Tentei adiar... Refugiando-me nos sonhos. Esses também não ajudaram muito...
Transportando-me constantemente a realidade cortante do mundo em que ela não esteja. Ou mostrando-me sua agonia noite após noite. Até o seu ultimo e trêmulo suspiro.
Suspeito que chorei.
E não sei quando deixei de chorar.
Agora vejo-a sangrar impotentemente. Sem saber que na verdade quem está sangrando sou Eu! Porque não há ferimento maior que ver alguém definhar sem que se possa fazer algo... Não há nada que eu possa fazer!
Olho para minhas mãos inutilmente e me pergunto qual é a utilidade delas. Se não há nada que eu possa fazer...
O sangue tinge de rubro o piso de madeira encerado. Eu a olho com o coração ardendo em brasas.
De quem sangra por dentro, por um ferimento que não pode cicatrizar e também não permite esperar pela redenção. Pois quando ela se for, ele permanecerá sangrando porque ela não estará lá para preencher os espaços que ficaram vazios. Ela não se achegará mais a mim acolhendo para si o meu mudo sofrimento das minhas frias especulações humanas. Especulações que não sabem amar, pois só sabem enxergar a si próprias.
Eu nem me lembro mais quando a vi da ultima vez. Passei a maior parte do tempo olhando para os lados e sequer a enxergava. Mas ela estava lá e por mais egoísta que isso possa parecer eu gostava dessa comodidade de ter-la quando precisava que seu carinho infinito abraçasse minha alma cheia de espinhos. Imagino o quanto foi árduo a tarefa de transpassá-los e poder amar-me...
Agora sei que quando o ódio entrar no recôndito de minha alma. Ela não estará lá para aquecê-lo com seu amor incondicional e silencioso.
Ela nunca disse nada... Ou fui eu que nunca quis escutá-la? Agora tenho medo de que seu eu pudesse, por uma fração de segundo escutar toda a manifestação da dor que ela sente. Penso que isso me seguiria para o resto de minha vida.
Eu queria tanto abreviar esse estado de sofridão perpetua que todo ser está condicionado a passar pelo simples fato de existir. E deixá-la descansar em um sono quente e confortável, e vê-la partir sem nada sofrer. Mas acho que são as marcas dessas experiências que devem se fazer sentir por nós para que possamos provar o doce amargo gosto da humildade.
Penso que partir seja algo bom comparado ao que vivenciamos dia após dia. Mas essa não seria mais uma faceta do meu sistema de defesa criando a ilusão que ela estará bem embora ela não esteja mais por perto? Ou que na verdade ela não esteja sofrendo quanto eu ache porque na verdade a alma dela não está mais enraizada em seu corpo? Prefiro adiar minha resolução. Isso não muda o fato que em breve serei apenas eu e ela terá ido. Não consigo fazer nenhum esforço e pensar em algo bom, para tentar inludibriar a mim mesma. Ainda ouço o pesado som do seu esforçoso respirar. Sei que dói, mas não tenho noção da imensidão de sua dor. Isso me diminui bastante porque pela primeira vez vejo o tão insignificante eu sou. Ela me olha de soslaio. Seu olhos caídos me pedem carinho... Corro e a abraço. Com a certeza de que não saberei por quanto tempo ainda poderia fazer isso...