segunda-feira, 2 de maio de 2011

Figurinhas do Ping Pong

Ping Pong _Eita nostalgia

Nossa agora me dei conta de quanto estou ficando velha!! Quando eu era criança eu tinha paixão por essa serie de figurinhas, e tinha plena convicção de que eu ia para o pantanal e ia me hospedar na oca de uma tribo indigena qualquer e sei lá seria uma veterinaria e capitã planeta ao mesmo tempo.  EUzinha tinha plena convicção de que ia salvar a mata Atlantica....Vali me Deus... quanta imaginação...então estou deixando meu tributo aqui, as figurinhas, a mata atlântia e pantanal, e a minha fertil imaginação... Acreditem em mim nada mudou rsrsrsrs
Beijão para todos!!!!


Nas páginas desbotadas do livro...

Debruça-se sobre as rosas...
Embora sejam feitas de papel...
Exalam perfumes doces de mil e umas aventuras passadas.
Viajam por seus campos num corcel a galopar.
Arrasta-se os aromas num pequeno redemoinho.
Passeia de trem pelas paradas mineiras...
De um terreno retorcido de um cerrado grosseiro...
Ao mesmo tempo em que atravessavam pontes sobre límpidas e misteriosas montanhas verdejantes da já extinta mata atlântica.
Tão belas paisagens numa figurinha...
Um álbum fantástico de coisas a descobrir sobre minha terra.
E nela não há palavras para explicar...
E nela são todas as coisas.
O ar que recende a capim molhado, a água que desce valente pelas encostas turvas de minhas queridas montanhas mineiras.
Desbravam as matas sem nela tocar...
E o sol que queima de quente morno a afagar levemente a pele nas tardes outonais e rugi furioso sobre as ondas no mar de verão.
Lança sobre as águas e cria miríades de cores que refletem nessa minha mata de figurinhas do álbum de colecionador. Onça pintada sorve a água no leito do rio. O sol a trespassa e lança um brilho tênue sobre seus pelos pintados de marrom e preto.
O mesmo sol tinge de dourado a pele da morena mineira.
Ela anda distraída, como se não desse conta do tempo.
Para no sinal e vira na direção do transito com a mão sobre o os olhos se protegendo do sol.
Seus cílios longos sem nenhum bordado.
Guardam olhos de amêndoas que reflete no sol como se fossem ouro fundido. Me lembra o dourado do mel tirado diretamente das casas das abelhas.
O seu vestido é longo e ondula suavemente sobre a brisa morna de outono.
Uma tira delicada é trançada sobre sua cintura fina.
Pernas longas calçam sapatos pontudos.
Contudo, mal se lembra de andar.
Desliza suavemente pelo tempo.
Sem pressa nenhuma de chegar.
Sobre as mãos o livro
Das rosas, do corcel, e das aventuras pelas terras a desbravar.
Ela para no ponto de ônibus e dá sinal. Sigo-a pela aventura do mistério a desvendar.
Dos seus olhos distantes, na poesia contida da historia.
Do seu meio riso retido para não deixar escapar o seu conteúdo...
Da aventura e desventura. Do tropeço do cavaleiro em seu cavalo.
Das cruzadas e das lindas paisagens retratadas no livro.
Ela viaja pelas letras mantendo firmes seus olhos de amêndoas. Adornando as historias com suas paixões e suas frágeis percepções. Criando o fantástico a partir do estático das letras cursivas e compridas numa pagina.
Nesse instante eu era apenas o livro...
Carla Cardoso Valadares


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