quinta-feira, 31 de maio de 2012

Fênix




Ando descalça
Pelo quarto
Tropeço nas coisas espalhadas
Desordenadas pelo chão

O silencio é quebrado
Por uma breve melodia
Que acalenta meu coração

Resgato as palavras ao acaso
Embrulhadas no papel amassado
Transportando-me para um mundo
Que não me pertence mais

O céu resplandece com um azul brilhante
O vento é tão frio
A mão que me puxa para um abraço de urso
É tão quente, não me sinto mais sozinha

Que pena, os contos de fadas
Não podem existir
O sol foi embora

E uma tempestade se insinua sobre os tênues raios solares
Agora a chuva lava a terra
E o vento castiga minha janela

O frio que sinto
Se instala em um lugar
Que sol algum pode alcançar

O toque singelo dos fios de algodão
Derrubo o café
Não consigo mais me levantar

Nada importa
O sorriso do dia ensolarado
Se apagou, num eclipse

Um cinza lúgubre pinta os céus
As cores se foram
As notas dessa canção, não quebram mais esse silêncio profundo



Ando descalça
Tropeço nas linhas dos meus sentidos
Que param inquietos
Enquanto recobro a consciência

Ele nunca estivera aqui
A chuva ainda lava as mentiras
E deixa apenas a menina

Que ainda sorri consigo mesma
Das coisas bobas
Seus sonhos descobertos

Ainda podem ser moldados
A meiguice se insinua nos cantos
Da janela de seus olhos

O sol desperta de um longo sono
Levando-me para longe
No infinito da existência das coisas fantásticas

As aventuras estão dispostas
Não sei se um cavaleiro chegará
Mas ainda ei de aportar em algum lugar

domingo, 6 de maio de 2012

As Minas Gerais




As vozes que silenciam
Na terra que chora sangue
Dos homens que devassam suas encostas
Para derramarem seus tesouros

Os forasteiros que se embrenham por essas matas
Não ouvem essa gente
Que quedaram mudas
Ao verem devassadas
A terra de suas infâncias




Pó e fuligem cobrem os rastros
Pelos trilhos desse trem
Até o porto de todos os santos
Por onde embarcam
Para o mundo afora abastecer

De ouro e ferro
E esperanças perdidas
Das gentes humildes
Dessas instancias mineiras
Que choram a seca
Das matas cerradas
Dessa terra nua e árida

E fica apenas nostalgia
Do vento a soprar as copas das arvores
Que não existem mais
Do ar puro
Das chuvas que lavam essas encostas
E do frio que uniam
Na beirada do fogão a lenha
As famílias mineiras.