As vozes que silenciam
Na terra que chora sangue
Dos homens que devassam suas encostas
Para derramarem seus tesouros
Os forasteiros que se embrenham por essas matas
Não ouvem essa gente
Que quedaram mudas
Ao verem devassadas
A terra de suas infâncias
Pó e fuligem cobrem os rastros
Pelos trilhos desse trem
Até o porto de todos os santos
Por onde embarcam
Para o mundo afora abastecer
De ouro e ferro
E esperanças perdidas
Das gentes humildes
Dessas instancias mineiras
Que choram a seca
Das matas cerradas
Dessa terra nua e árida
E fica apenas nostalgia
Do vento a soprar as copas das arvores
Que não existem mais
Do ar puro
Das chuvas que lavam essas encostas
E do frio que uniam
Na beirada do fogão a lenha
As famílias mineiras.

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