domingo, 31 de maio de 2020

Contos Apocalipticos - Dois


Os contos Apocalípticos nasceram dessa série Contos Inacabados. Por que inacabados? Porque a fonte de inspiração que gerou esses contos no meu coração é viva. E a cada instante uma nova historia poderá surgir dela. E a fonte, é claro, não poderia ser outra a não ser a sempre viva palavra de Deus.



Hoje trago o conto Dois. Talvez mais para frente eu escreva mais contos de apocalipse, mas como sempre, estou completamente dependente da vontade de Deus. Então a série Contos Inacabados é essa compilação delicada e inspiradora da Bíblia, e a própria a Bíblia como sabem ainda tem muito o que falar.
Hoje pensei em fazer diferente, em vez de simplesmente copiar e colar a historia aqui, resolvi deixar um link onde se poderá baixá-la. Assim essa postagem fica menos densa e você poderá ler o conto aonde quiser.

No mais um grande abraço

Espero que gostem😊💖😊💖

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Contos Apocalipticos

Um


O Café escoava lentamente pelo filtro. Da sala, vinha o som monótono e cotidiano dos noticiários.
A Organização Mundial de Saúde prevê uma nova onda do surto de… caso os países insistam em não tomar medidas mais eficazes no combate à epidemia…”
Aqui no Brasil, continua o embate politico entre o Congresso e o Governo Federal sobre o valor do Auxilio Emergencial…”
Ela pegou uma caneca de café recém-passado e sentou-se à mesa. Entre um gole e outro da bebida abençoadamente quente, ela passou os olhos pela página inicial do Instagram.
Enquanto as imagens rolavam pela tela, ela fez anotações mentais do que precisava fazer mais tarde, das coisas que tinha de comprar para o aniversário da sua loja, da reunião com um de seus fornecedores, entre tantas outras coisas mais.
Vamos agora à previsão do tempo para toda a semana…”
Na tela do celular, ela via as fotos da última viagem que o seu antigo colega de faculdade havia feito.
- Egito?! Meu Deus! Onde é que esse cara arruma tanto dinheiro para viajar direto e reto assim? – disse ela com uma pontinha de inveja.
De repente, um som distante, como uma leve batida à porta, se fez ouvir. Ela levantou sobressaltada. O movimento repentino fez com que respingasse um pouco de café na tela do celular.
- Ai caramba! - reagiu ela, procurando desesperadamente por um pano para poder secar o aparelho, antes que alguma gota de pura cafeína adentrasse por seus circuitos.
Quando ela finalmente limpou o celular, já havia esquecido do som que acabara de escutar.
Na televisão uma breve pausa entre o telejornal, abriu espaço para a costumeira propaganda comercial.
“… Limpa 3x mais que qualquer alvejante que você encontra no mercado…”
Dois apitos seguidos indicaram novas mensagens em seu Whatsapp. Ela olhou por alto, enquanto bebericava o café, mas ignorou todas elas.
“…Fique em casa!”
Precisa de empréstimo?…”
Inquieta ela abriu o YouTube e, da mesma forma automática passou os olhos pela página inicial, mas parecia que nada podia prender a sua atenção.
Novamente aquela batida baixinha se fez ouvir.
Ela levantou os olhos da tela do celular e pôs-se a ouvir atentamente.
A batida se fazia ouvir em intervalos regulares. Ritmada, baixinho, mas não menos insistente.
Ela olhou por baixo da mesa e, curiosamente, o seu cachorro super-barulhento estava roncando alto em um sono profundo dos que se sentiam seguros, sem nenhum invasor de território à vista.
Ela levou os olhos na direção da janela, mas o barulho havia parado mais uma vez.
Novante ela voltou a sua atenção para o celular em suas mãos e foi passando pelos títulos dos vídeos na página inicial do YouTube. Passava por receitas, dicas de tricô, Mix de clipes da sua banda favorita, até que um título em especial, chamou a sua atenção:
O grito da meia-noite
Era o título da pregação de um conhecido pastor.
“…falta 100 segundos para a meia-noite… – dizia o correspondente à edição matinal do seu jornal favorito.
- Hã?! – disse ela extremamente confusa, e correu até a sala para ver que coincidência bizarra fora aquela.
“…o relógio do juízo final – prosseguiu o jornalista – também chamado de relógio do apocalipse, é um relógio simbólico, criado em 1947 por um grupo de cientistas da Universidade de Chicago. O dispositivo utiliza uma analogia onde a raça humana…”
E novamente a batida.
“… está a minutos para a meia-noite…”
E a batida prosseguia daquela mesma forma ritmada, mas parecia crescer de intensidade.
“…onde a meia-noite representa a destruição por uma guerra nuclear…”
E o cachorro se esticou todo, deu um enorme bocejo e voltou a dormir.
Intrigada, ela foi até a porta da sala, e olhou na direção do portão. Dali era visível qualquer pé que estivesse na calçada em frente à sua casa. Porém, não havia ninguém…
- Mia… – ouviu alguém sussurrar o seu nome ao longe, mas fora ela e o seu cachorro, que havia voltado a roncar, não havia mais ninguém em casa.
A batida continuava.
Ela olhou em todas as direções, buscando a origem daquele som, até que seus olhos passaram por cima do muro que separava a sua casa da rua e pousaram um pouco à esquerda, em cima do poste onde viu, um pica-pau atacando vorazmente o velho poste de madeira.
Parecia que o mistério acerca do barulho havia sido solucionado.
Mas uma nova inquietação havia tomado o seu ser.
Voltou até a cozinha onde havia deixado o celular e, destravando-o novamente, voltou àquele mesmo vídeo que havia chamado a sua atenção. Mas o título que agora via, era completamente diferente do que tinha visto anteriormente, apesar da imagem que aparecia junto ao título, fosse a mesma. O título de agora era: O despertar de Enoque.
Curiosa, foi até o quarto e resgatou a sua negligenciada Bíblia. Voltou para a sala, desligou a TV. Se acomodou no sofá e deu início ao vídeo. Assim que o vídeo começou, o pastor pediu que abrisse a Bíblia no livro de Gêneses. Mas assim que abriu a Bíblia, as folhas pularam teimosamente até o final do livro, onde havia deixado, um lindo marcador de página. Ela até havia se esquecido que deixara ele ali. Havia sido um presente que sua irmã havia lhe dado.
Retirou o marcador da página, e pela primeira vez viu em que livro o marcador havia sido deixado: o livro de Apocalipse. E de toda a página, apenas um versículo havia sido destacado com marcador de texto amarelo neon, por ela mesma, tempos atrás:


Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo”.


Imediatamente aquela batida suave se fez ouvir novamente, e ela soube que não era o pica-pau que produzia esse som. E uma alegria que excede a mais pura felicidade tomou conta do seu ser, lançando fora toda sua inquietação. Já não estava mais sozinha.