quarta-feira, 21 de novembro de 2012

A tela da Memória

"E tudo começa com o olhar, que desvenda a paisagem, para dela se apossar!"


"



Navega por essas lembranças como água flui por um rio,
Sem jamais voltar,
Correndo pelo mundo sem jamais aportar!

Sussurra pela encosta dessas montanhas
Como vento
Acalenta a flor da mangueira
Sem arrastar
Sem tocar

Como o sol que aquece a pele
Nas manhãs de inverno
Tão ameno
E corriqueiro
Sem jamais queimar

Ouça a melodia ecoar
Nesses recônditos esquecidos
Da terra a desbravar
Canta a Cigarra
O Bem-te-vi
E o Sabiá

E quando o céu tocar
E sobre as nuvens viajar
O Horizonte tão esplendido
Tão distante
Acima das montanhas se mostrará

A paisagem colada na retina da memória
Com a tela a perfilar
Esses rabiscos caprichados
Pelo tempo
Das curvaturas desse rio

E como rio Navega pelas lembranças
Sem jamais permanecer
A paisagem que compõe esse quadro
Desvanecerá com o fluir das águas
Permanecendo Apenas nos olhos
Daquele que vê

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